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Ler livros sem olhar páginas ou a facilidade do audiolivro
Seis vozes para seis autores
Caras conhecidas da ficção televisiva, do teatro e do cinema escolheram entre si os autores a que deram voz
Ler livros sem olhar páginas ou a facilidade do audiolivro
Já acabou de ouvir o livro? A pergunta não é tão bizarra como pode parecer, sobretudo em diversos países europeus onde o conceito do audiolivro tem vindo a solidificar-se e a granjear um cada vez maior número de adeptos. A partir de agora, graças aos avanços tecnológicos, a falta de tempo já não poderá servir de desculpa para não se conhecer a obra de um autor.
O anunciado lançamento, dia 18, de seis contos para ouvir, por iniciativa da editora 101 Noites, é uma espécie de ponto de partida para um novo paradigma que, no nosso país, tem conhecido apenas experiências pontuais. Mas a verdade é que o avanço tecnológico permite agora ouvir livros através de um leitor portátil, sendo possível, no futuro, transportarmos uma mini-biblioteca no bolso.
"Os livros para ouvir (o audiolivro) fazem parte de um conceito que infelizmente chegou a Portugal de uma forma tímida. Basta termos em conta que, nos Estados Unidos, 10% do mercado editorial já é do audiolivro. O audiolivro é, sem dúvida, uma aposta de futuro", defende Sandra Silva, da editora 101 Noites.
"O anunciado lançamento do I-phone, que chegará a Portugal em 2008, e que irá possibilitar ouvir audiolivros no próprio telemóvel, representa uma revolução bastante grande relativamente ao I Pod, e por isso não tenho dúvidas de que os audiolivros serão uma aposta de futuro", acrescenta a editora da 101 Noites.
Para os mais cépticos e para os que temem que esta revolução tecnológica possa contribuir para um maior fosso nos índices de leitura, Sandra Silva é peremptória em considerar que, "muito pelo contrário, os livros para ouvir contribuem para o gosto pela leitura. Até porque, no caso do lançamento dos seis audiocontos, optamos por editar o livro a acompanhar o CD. O pacote de lançamento inclui a edição em papel da obra acompanhada pelo cd. Portanto, há sempre a hipótese de se ler o livro se assim se desejar".
A preocupação da editora foi a de, por um lado, ir buscar textos clássicos da literatura portuguesa de grandes autores. "Alguns tinham mesmo edições esgotadas no mercado há muito tempo, o que é pena"
Sandra Silva está convicta de que a ideia vai ser sobretudo aproveitada pelos mais jovens, tendencialmente mais afeitos às novas tecnologias. "Este será um meio excelente para lhes dar a conhecer autores que, de outro modo, por iniciativa própria, nunca iriam procurar. E o facto de estes audiolivros serem lidos por alguns actores que eles conhecem da televisão ou do cinema, talvez também os conquiste para a leitura da obra".
Sandra Silva é optimista quanto ao sucesso dos audiolivros. "Quasesempre desperdiçamos muito tempo em transportes, filas de trânsito, e desculpamo-nos com a falta de tempo para a leitura. Com o audiolivro essa desculpa deixa de ter razão de ser. A partir de agora será muito mais simples aceder a alguns clássicos da literatura portuguesa, como é o caso, mesmo quando vamos a conduzir".
Para os que manifestam preocupação relativamente ao facto de o audiolivro contribuir para uma diminuição dos índices de leitura ou do volume de compra de livros em papel, Sandra Silva lembra também que "quando surgiu a televisão diziam que o cinema ia morrer, e quando se popularizou o dvd vaticinava-se o fim das salas de cinema. O audiolivro não vai concorrer directamente com o livro em papel mas sim complementá-lo. No futuro, há que pensar nos idosos, que já não têm capacidade para ler, mas que gostariam de continuar a aceder aos textos. E o audiolivro será uma ajuda", acredita.
O actor João Perry é um apaixonado pela obra de Mário de Sá-Carneiro. Por isso, quando soube que no pacote de audiolivros a editar constava o conto do seu autor preferido, intitulado "A estranha morte do Prof. Antena", mostrou-se logo disponível para lhe dar voz.
"Os actores que convidamos decidiram, entre si, qual o autor que gostariam e ler. Alexandra Lencastre, por exemplo, deu o tom romântico à leitura de "Mulher de Perdição", de Florbela Espanca, São José Lapa dá voz a "Um jantar muito original", um conto pouco conhecido de Fernando Pessoa. O texto "Civilização", de Eça de Queirós é lido por José Wallenstein. Nuno Lopes, optou por "Sete Mulheres", de Camilo Castelo Branco. E a Eunice Munõz coube "Sempre amigos", de Fialho de Almeida" .
As leituras são pontuadas por ambientes sonoro, mas Sandra Silva sublinha que estes audiolivros não são uma novela radiofónica mas sim um texto literário lido por uma só voz. Contudo, por vezes, há música e alguns ambientes sonoros que transportam mais facilmente para o espírito do conto e ajudam a entrar num livro.
Ana Vitória, Jornal de Notícias
http://jn.sapo.pt/2007/10/13/cultura/ler_livros_olhar_paginasou_a_facilid.html
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