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«Livros para Ouvir» - uma aposta da editora 101 noites
O conceito de áudio - livro não é tão recente como se possa pensar apesar de em Portugal ter tido uma evolução mais lenta do que no resto da Europa.
É precisamente para motivar o interesse pelo áudio - livro e satisfazer as necessidades dos mais preguiçosos que a editora 101 noites decidiu lançar a primeira colecção portuguesa de áudio - livros, já na próxima quinta-feira (18). A colecção é composta por seis contos de ilustres autores portugueses e conta com a participação de actores bem conhecidos que dão voz a esta iniciativa.
Livros para ouvir, assim se chama a colecção, tem como primeiro título um conto pouco conhecido de Fernando Pessoa, Um Jantar Muito Original, lido pela actriz São José Lapa. Os actores convidados gozaram da oportunidade de escolher a que conto preferiam emprestar a sua voz. O actor João Perry teve sorte. Mário de Sá - Carneiro é um dos seus escritores favoritos, portanto, optou por dar voz ao seu conto, A Estranha Morte do Prof. Antena. Os restantes títulos são, Sempre Amigos, de Fialho de Almeida, pela voz de Eunice Muñoz, Sete Mulheres, de Camilo Castelo Branco na de Nuno Lopes, Mulher de Perdição, de Florbela Espanca na de Alexandra Lencastre e, para finalizar, um conto de Eça de Queiroz, A Civilização, lido por José Wallenstein.
Para além das vozes (apenas uma por conto), a 101 noites resolveu adicionar a música de Alexandre Cortez ( Rádio Macau e Wordsong), que vai transportar, mais ainda, o ouvinte, para aquele que é o espírito do próprio conto.
“O áudio - livro é, sem dúvida, uma aposta de futuro”.
Foi o que defendeu Sandra Silva, da editora 101 noites, ao Jornal de Notícias. ” O anunciado lançamento do I-Phone, que chegará a Portugal em 2008, e que irá possibilitar ouvir áudio-livros no próprio telemóvel, representa uma revolução bastante grande relativamente ao I Pod,e por isso não tenho dúvidas de que os áudio - livros serão uma aposta de futuro”, acrescentou.
Na verdade, o áudio - livro só traz vantagens e vem para agradar a todos. Embora, segundo Sandra Silva, se acredite que a ideia vai ser aproveitada principalmente pelos mais jovens devido à sua maior facilidade de acesso à tecnologia, a verdade é que os áudio - livros são uma ferramenta importante para os mais idosos que, pela sua condição, já não têm tanta capacidade para ler.
A intenção é aliar a facilidade em aceder a obras importantes da literatura portuguesa sem ter a desculpa da falta de tempo. A partir de um qualquer leitor portátil (até mesmo o leitor de cd’s do automóvel) se pode ouvir um livro, quer seja um clássico da literatura ou um romance de cordel.
Deseja ser leitor ou ouvinte?
Para os que ainda não se habituaram à ideia de ler um livro sem ter o prazer de desfolhar páginas, a 101 noites resolvei incluir no pacote de lançamento desta colecção, para acompanhar o CD, a edição do livro em papel. A escolha está, assim, na mão do consumidor.
Ainda que pareça operar-se uma revolução neste campo, Sandra Silva mostra-se céptica quando se fala em diminuição do volume de compra de livros impressos, relembrando que “quando surgiu a televisão também diziam que o cinema ia morrer”, e acrescenta, ” o áudio -livro não vai concorrer directamente com o livro em papel mas sim complementá.lo”.
Filipa Galrão, Com: Jornal de Notícias e Lusa
Artigo publicado em: Cultura a 16 de Outubro 2007, 82ªEdição, às 9:14 pm.
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