|
|
CAMILO CASTELO BRANCO
[1825-1890]
Um dos grandes romancistas portugueses do século XIX, Camilo Castelo Branco teve uma vida tão atribulada que a sua biografia mereceu quase tanta atenção como a sua obra. Desde cedo órfão (perdeu a mãe com um ano e o pai aos dez), Camilo teve uma sucessão de infelicidades. Insucessos académicos, paixões violentas, a prisão (pelo crime de adultério com a mulher casada Ana Plácido), a cegueira, a falta de dinheiro, tumultuaram a sua vida e marcaram a sua obra.
Camilo pôs fim ao carrossel de desgraças com um tiro na cabeça na sua casa em S. Miguel de Ceide (Vila Nova de Famalicão) a 1 de Junho de 1890, numa altura em que passava por graves dificuldades financeiras e em que a cegueira o incapacitava de escrever. Escritor multifacetado, ingressou em praticamente todos os géneros literários (conto, romance, poesia, crítica literária, traduções, teatro, história), mas foi enquanto romancista que dominou a segunda geração romântica, sendo, como Ramalho Ortigão afirmou, "o mais genuíno representante literário do seu tempo e do seu lugar".
Muito marcado pelo Norte, fixou-se no Porto em 1847 e começou a sua actividade na escrita pelo jornalismo como colaborador do Jornal do Povo. Escreveu prolificamente, quer literariamente (publicando mais de uma centena de obras literárias), quer como autor de artigos de diversos jornais. O frenesim da sua escrita, instrumento exclusivo da sua sobrevivência, não lhe retirou, porém, qualidade. Os indefectíveis de Camilo vêem nessa concomitante abundância e valor literários um sinal da sua genialidade. Em 1962, publica a novela que lhe trouxe maior fama: Amor de Perdição (que se acredita ter sido escrita em 15 dias) - uma história eivada de romantismo, tal como a sua vida. A vastidão da sua obra percorre uma miríade de temas, desde o amor, passando pelo misticismo, até à sátira social.
Obras principais
Doze Casamentos Felizes (1861); Amor de Perdição (1862); Coração, Cabeça e Estômago (1862); O Bem e o Mal (1863); A Queda Dum Anjo (1866); Mistérios de Fafe (1868); O Retrato de Ricardina (1868); A Mulher Fatal (1870); Novelas do Minho (1875-1877); Ao Anoitecer da Vida (1874).
|